A formação de terapeutas para práticas integrativas e complementares em saúde
DOI:
https://doi.org/10.22169/rbpics.v4n7.1498Resumo
A formação de terapeutas para as Práticas Integrativas e Complementares é um tema atual, uma vez que todos os dias um contingente de novos profissionais está atuando sem que de fato tenham critérios definidos para sua atuação. Partimos de uma experiência de 25 anos, na qual a inspiração original para implantar um ambulatório foi o estudo da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a compreensão da história natural das doenças, seus múltiplos fatores e sua evolução, permitindo identificar o processo do adoecimento e, em especial, entre eles um fator interno que chamou a atenção: a mente. Este artigo descreve uma pesquisa que busca compreender como tem sido a formação dos terapeutas que atuam voluntariamente no ambulatório de PICS dentro de um hospital público de SP. Para isso, foi realizada uma pesquisa descritivo-analítica e exploratória, com abordagem qualitativa, junto aos terapeutas cadastrados e em atividade no ambulatório do hospital no período de janeiro a agosto de 2023. Os resultados apontam que essa prática é desenvolvida predominantemente por mulheres a partir dos 40 anos de idade e que a maioria tem nível superior completo, embora aproximadamente 1/3 deles tenham formação de nível médio ou superior incompleto. A decisão para o exercício das PICS ocorre majoritariamente de forma consciente, a partir da necessidade de compreender melhor a realidade, as necessidades das pessoas, bem como de conhecer o ser humano de forma integral. Os terapeutas apontam, entre as competências cognitivas para essa atuação, a necessidade de ter capacidade de estudo e de atualização constante, possuir um conhecimento ampliado do ser humano, praticar o autoconhecimento como instrumento para ajuda ao outro e ter uma base intelectual mínima para a compreensão dos problemas das pessoas. Entre as habilidades: acolher o paciente, saber fazer uma anamnese, orientar o autocuidado e tratar sem causar danos. Sobre atitudes: ter capacidade de diálogo, mostrar comprometimento, mostrar empatia, ter postura ética e visão crítica. A insuficiência na formação dos terapeutas para a prática é reconhecida pela maioria dos participantes que apontam, como uma das vias de formação, os cursos capacitantes pontuais, incluindo em menor proporção a pós-graduação lato sensu. São fatores dificultadores para a formação, o acesso ao conhecimento específico da área, a frequência de cursos muito superficiais, bem como a dificuldade de encontrar pessoas competentes para ensinar. Como conclusão, ressalta-se que o crescente interesse para novas práticas de cuidado indica a necessidade do desenvolvimento de critérios específicos para a preparação desses terapeutas.
Palavras-chave: terapias complementares; práticas integrativas e complementares; educação em saúde; capacitação de recursos humanos em saúde; saúde holística.
Abstract
The training of therapists for Integrative and Complementary Practices is a topical issue, since every day a contingent of new professionals enter the field without having defined criteria for their work. We start from a 25-year experience in which the original inspiration for setting up an outpatient clinic was the study of Traditional Chinese Medicine (TCM), the understanding of the natural history of diseases, their multiple factors and their evolution, which allowed us to identify the process of illness and, in particular, among them, an internal factor that caught our attention: the mind. This article describes a study that seeks to understand what the training of therapists who work voluntarily in the PICS outpatient clinic at a public hospital in São Paulo has been like. To do this, a descriptive-analytical and exploratory study was conducted, using a qualitative approach with the therapists registered and working at the hospital’s outpatient clinic between January and August 2023. The results show that this practice is conducted predominantly by women aged 40 and over and that the majority have completed higher education, although approximately 1/3 of them have secondary or incomplete university degree. The decision to practice PICS is mostly a conscious one, based on the need to better understand reality and people’s needs, as well as to get to know the human being. Among the cognitive competencies for this practice, the therapists point to the need to be able to study and constantly update, to have a broader knowledge of the human being, to practice self-knowledge as an instrument for helping others and to have a minimum intellectual base for understanding people’s problems. Among the skills: welcoming the patient, knowing how to take an anamnesis, guiding self-care and treating without causing harm. As for attitudes: having the capacity for dialog, showing commitment, empathy, an ethical stance and a critical vision. The insufficiency of therapists’ training for practice is recognized by most participants, who point to one of the training routes as being one-off training courses, including, to a lesser extent, lato sensu postgraduate courses. Access to specific knowledge in the area, the frequency of very superficial courses and the difficulty of finding competent people to teach are all factors that hinder training. To conclude, the growing interest in new care practices indicates the need to develop specific criteria for preparing these therapists.
Keywords: complementary therapies; integrative and complementary practices; health education; training of human resources in health; holistic health.
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