Administração pública deliberativa, CRAS e discricionariedade profissional:

contribuições do serviço social para o desenvolvimento da autonomia das mulheres

Autores

  • Daraci Rosa dos Santos UTFPR
  • Kanufre, Rosana Aparecida Martinez PUC-PR

Resumo

O artigo visa analisar como a interrelação entre os princípios da Administração Pública Deliberativa (APD), do SUAS e do CRAS, e a discricionariedade profissional dos assistentes sociais — enquanto dimensões da política de assistência social — contribuem para o desenvolvimento da autonomia das mulheres. Fundamenta-se no método materialista histórico, a partir de algumas categorias de análise, tais como gênero, desigualdade, vulnerabilidade, interseccionalidade, monoparentalidade e autonomia. Utiliza pesquisa bibliográfica, de cunho qualitativo. Considera que tais dimensões apresentam elementos suficientes para superar o modelo gerencial baseado na Nova Gestão Pública (NGP), que ainda parece predominar no CRAS e no SUAS e que podem ser adotadas estratégias profissionais, éticas e discricionárias associadas à APD para fazer valer os princípios da participação cidadã e incidir no desenvolvimento da autonomia das mulheres, a partir da atuação do Serviço Social no CRAS.

Palavras-chave: SUAS e CRAS; APD; Serviço Social; discricionaridade; mulheres.

Abstract

The article aims to analyze how the interrelation between the principles of Deliberative Public Administration (DPA), SUAS and CRAS, and social workers’ professional discretion — as social assistance’s policy dimensions — contribute to the development of women's autonomy. It is based on the historical materialist method, from some categories of analysis, such as gender, inequality, vulnerability, intersectionality, single parenting, and autonomy — through bibliographical research, of qualitative nature. It considers that these dimensions present sufficient elements to overcome the managerial model based on the New Public Management (NPM), which still seems to predominate in CRAS and SUAS, and that professional, ethical and discretionary strategies associated with the APD can be adopted to enforce the principles of citizen participation and influence the development of women's autonomy, based on Social Service’s work in CRAS.

Keywords: SUAS and CRAS; APD; social work; discretion; women.

Resumen

Este artículo tiene como objetivo analizar cómo la interrelación entre los principios de la Administración Pública Deliberativa (APD), del SUAS y del CRAS, y la discrecionalidad profesional de los trabajadores sociales — como dimensiones de la política de asistencia social —, contribuyen para el desarrollo de la autonomía de las mujeres. Se basa en el método materialista histórico, a partir de algunas categorías de análisis, como género, desigualdad, vulnerabilidad, interseccionalidad, monoparentalidad y autonomía. Utiliza la investigación bibliográfica, de carácter cualitativo. Considera que tales dimensiones presentan elementos suficientes para superar el modelo de gestión basado en la Nueva Gestión Pública (NGP), que aún parece predominar en el CRAS y en el SUAS, y que se pueden adoptar estrategias profesionales, éticas y discrecionales asociadas a la APD para hacer cumplir los principios de participación ciudadana e incidir en el desarrollo de la autonomía de las mujeres, a partir de la acción del Trabajo Social en el CRAS.

Palabras-clave: SUAS y CRAS; APD; Trabajo Social; discrecionalidad; mujeres.

Biografia do Autor

Daraci Rosa dos Santos, UTFPR

Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Kanufre, Rosana Aparecida Martinez, PUC-PR

Doutora e Mestre em Gestão Urbana pelo programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

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Publicado

2023-01-26

Como Citar

ROSA DOS SANTOS, D.; MARTINEZ KANUFRE, R. A. Administração pública deliberativa, CRAS e discricionariedade profissional: : contribuições do serviço social para o desenvolvimento da autonomia das mulheres. Humanidades em Perspectivas, [S. l.], v. 4, n. 9, p. 76–92, 2023. Disponível em: https://revistasuninter.com/revista-humanidades/index.php/revista-humanidades/article/view/198. Acesso em: 18 maio. 2024.

Edição

Seção

Artigos